sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

"Diz-me, porque não nasci igual aos outros,
sem dúvidas, sem desejos de impossível?"
[Florbela Espanca]

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Lembrança...


Hoje me lembrei do por que não olhamos pra trás.
Foi um misto de alegria, saudade e dor...
Alegria porque pude recordar de amigos
Há tempos esquecidos,
Que também já me esqueceram.
Saudade, pelo mesmo motivo... Eles, elas!
Fui tomado de um súbito desejo de pergunta-lhes:
“Lembram-se de mim?! Eu me de vocês!”
Ahhh... Como queria estar junto de vós...
Junto dela!
Por fim, a dor... Fiel e inseparável companheira,
Por onde ande, lá estará ela,
Entrelaçada em meu pescoço,
Reflexiva em meus olhos
E ninguém vê, pois há sempre um sorriso,
Um gesto, um aceno, há sempre o que dizer.
Assim... Lembrança... Lembrando...
Desejo voltar pra vós...

“Mas tu foges de mim”.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Inatividade


Dizem existir dois tipos de poetas neste mundo: os românticos-melancólicos que, que revivem e regozijam com suas dores, e os outros. Acredito me aproximar mais dos primeiros.
[Vejam caros leitores, eis a minha pretensão, nada modesta, de ser poeta]
Fiquei algum tempo sem escrever e atribuo isso a felicidade que uma garota me proporcionou, porém, como dizem, “o inferno se cava com os pés” e assim, de erro em erro, cavei o meu e acabou tudo.
Agora retorno e novamente obrigo-os a ouvir minhas lamentações.
Começo, então, a me confessar: mea culpa, tantum mea culpa!
Como gostaria de mudar tudo, mas isso não parece ser mais possível... O que me entristece, pois lhe procuro a cada instante, em todos os lugares...
Resta-me agora um último fôlego: fazer-te minha inspiração, numa espécie de pedido contínuo de desculpas.
Sei que isso nunca lhe alcançará e, creio no íntimo, ser melhor assim, mas o fato é que ainda a amo. Você foi e sempre será minha primeira namorada. Aquela com a qual tive as alegrias das descobertas, do autoconhecimento e conhecimento do outro.
Entendo agora Caio Fernando de Abreu, quando diz: “na minha memória – tão congestionada – e no meu coração – tão cheio de marcas e poços – você ocupa um dos lugares mais bonitos”.
Você é o mais bonito do meu ser... E, apesar de duro, devo aceitar que não esta mais comigo e foi minha escolha, mesmo inconsciente e não intencional.
Agarro assim a esperança de repetir freneticamente que “todo final é um novo começo” e assim sigo marchando tal qual o José de Carlos Drummond de Andrade.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Confesso


Que fiz, intencionalmente, da rua de sua casa o meu caminho.
Com isso, esperava, mesmo há essa hora, vê-la.
Onde você estará? Com quem? A fazer o quê? Questiono-me.
Em verdade, sinto sua falta.
Sei que é minha e só minha a culpa de estarmos assim.
Desejo a todo instante ouvir: “ainda gosto de você!”,
Apesar de saber que não dirá isso.
Por isso, escrevo-lhe, sem nunca entregar-te realmente essa carta,
Para confessar meus pecados:
Causei-lhe tanta dor e isso me machuca.
Sei que sua generosidade é capaz de perdoar
E agradeço isso.
Tudo o que desejo era nunca ter errado e poder estar contigo
Como se nunca tivéssemos nos separado.

Eu a amo...!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Ausência: aquilo que me falta...


"Mas egoísta que eu sou
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar"
[Legião Urbana, Ainda é cedo]


Sofro com a perda daquilo que nunca foi meu.
Com saudades do que não tive,
do que não vivi.
Com dores que não são minhas.
E com as tristezas remoídas,
revividas e represadas.
Porque não sou assim: triste!
Porque me cativa mais aquilo que
me falta...
E aceitando o que dizia o Poeta do Ínfimo:
"Tem mais presença em mim o que me falta".

quinta-feira, 19 de março de 2015

Março, 19 de 2015.

Para acordar.
Agora durmo...
Esqueço a peleja, o fardo
Esqueço o mundo,
E num súbito respirar:
Fecho meu olhos.
Meu corpo esmaece.
Aqui descanso,
Aqui chego!
Desejoso de uma parada.
Rumo ao pouso,
Eu continuo a noite a cortar,
Dos senhores e senhoras de coração vazio e gibeira farta.
Admirando suas frontes todas fechadas.
Esquina a esquina...
Iluminado do alto pelas estrelas amarelas,
É mais um dia...
Sentindo o gélido vento tocar meu rosto,
Montado em meu cavalo-metal eu sigo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A tristeza matou o homem

Era alto,
Tinha passos largos,
Silenciosos...
Seus cabelos longos,
Bastante negros.
Seu olhar, castanho, cálido.
Tinha um sorriso lindo!
Muitos o viam sempre sorrindo,
Achavam que estava sempre feliz.
Em verdade,
Usava seu sorriso para esconder.
Esconder o vazio,
Que insistia em preencher
Com algo que não era seu.
Nunca conseguia.
Pensava que o problema era sentir.
Sentia demais:
Amava demais,
Sofria demais.
Tudo era muito intenso;
E a falta dessa intensidade o machucava.
Certo dia, parou, pensou,
Tentando descobrir o porquê de tudo isso.
Então, pegou um papel, uma caneta
E começou a escrever.
A primeira frase 
Logo veio...

“E a tristeza matou o homem”.