segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Estranhez

“Tornamo-nos estranhos a nós mesmo” é o que de súbito me saltou a mente e foi refletindo sobre isso que me indaguei: “em que me transformei? Sou melhor que ontem, hoje? E pior do que amanhã?”. Quanto ao futuro nada posso dizer, mas duvido que seja melhor, hoje, do que já fui algum dia. Sem defender algum “princípio” de imutabilidade ou crer ser pior do que já fui... Apenas vislumbro: minha natureza, meus sentimentos mais íntimos me são estranhos, quiçá compreensíveis ou racionais. Hoje, experimentei de minha própria natureza, ódio e raiva percorreram meu corpo, perdi o controle, a razão e a fé. Mas, o que é minha natureza senão eu próprio? Então, esse ódio, essa raiva, essa dor, sou eu? É lamentável... Sempre nos vemos com olhos mais bondosos e gentis do que realmente somos.

Tributo

Lembro-me do teu jeito, sua doçura,
Encantador era o riso, os gestos.
Não há como expressar,
Irresistível, irracional, irreal era a forma
            [como me amava]
Sabidamente um presente, uma dadiva!
Era como um sonho, um voo deslumbrante...
Busquei-la como o dia busca a noite
                       [e a chuva busca o chão]
Amei e fui amado.
Tinha a felicidade em mãos,
Importava-me fazê-la feliz,
Sempre e sempre, porém... Falhei! Errei!
Tenho agora... Apenas saudades e
                                    [um desejo incomensurável de ti]
Amanhã... Quem sabe... Tenho esperanças
                   [de revê-la, meu anjo]

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

"Diz-me, porque não nasci igual aos outros,
sem dúvidas, sem desejos de impossível?"
[Florbela Espanca]

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Lembrança...


Hoje me lembrei do por que não olhamos pra trás.
Foi um misto de alegria, saudade e dor...
Alegria porque pude recordar de amigos
Há tempos esquecidos,
Que também já me esqueceram.
Saudade, pelo mesmo motivo... Eles, elas!
Fui tomado de um súbito desejo de pergunta-lhes:
“Lembram-se de mim?! Eu me de vocês!”
Ahhh... Como queria estar junto de vós...
Junto dela!
Por fim, a dor... Fiel e inseparável companheira,
Por onde ande, lá estará ela,
Entrelaçada em meu pescoço,
Reflexiva em meus olhos
E ninguém vê, pois há sempre um sorriso,
Um gesto, um aceno, há sempre o que dizer.
Assim... Lembrança... Lembrando...
Desejo voltar pra vós...

“Mas tu foges de mim”.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Inatividade


Dizem existir dois tipos de poetas neste mundo: os românticos-melancólicos que, que revivem e regozijam com suas dores, e os outros. Acredito me aproximar mais dos primeiros.
[Vejam caros leitores, eis a minha pretensão, nada modesta, de ser poeta]
Fiquei algum tempo sem escrever e atribuo isso a felicidade que uma garota me proporcionou, porém, como dizem, “o inferno se cava com os pés” e assim, de erro em erro, cavei o meu e acabou tudo.
Agora retorno e novamente obrigo-os a ouvir minhas lamentações.
Começo, então, a me confessar: mea culpa, tantum mea culpa!
Como gostaria de mudar tudo, mas isso não parece ser mais possível... O que me entristece, pois lhe procuro a cada instante, em todos os lugares...
Resta-me agora um último fôlego: fazer-te minha inspiração, numa espécie de pedido contínuo de desculpas.
Sei que isso nunca lhe alcançará e, creio no íntimo, ser melhor assim, mas o fato é que ainda a amo. Você foi e sempre será minha primeira namorada. Aquela com a qual tive as alegrias das descobertas, do autoconhecimento e conhecimento do outro.
Entendo agora Caio Fernando de Abreu, quando diz: “na minha memória – tão congestionada – e no meu coração – tão cheio de marcas e poços – você ocupa um dos lugares mais bonitos”.
Você é o mais bonito do meu ser... E, apesar de duro, devo aceitar que não esta mais comigo e foi minha escolha, mesmo inconsciente e não intencional.
Agarro assim a esperança de repetir freneticamente que “todo final é um novo começo” e assim sigo marchando tal qual o José de Carlos Drummond de Andrade.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Confesso


Que fiz, intencionalmente, da rua de sua casa o meu caminho.
Com isso, esperava, mesmo há essa hora, vê-la.
Onde você estará? Com quem? A fazer o quê? Questiono-me.
Em verdade, sinto sua falta.
Sei que é minha e só minha a culpa de estarmos assim.
Desejo a todo instante ouvir: “ainda gosto de você!”,
Apesar de saber que não dirá isso.
Por isso, escrevo-lhe, sem nunca entregar-te realmente essa carta,
Para confessar meus pecados:
Causei-lhe tanta dor e isso me machuca.
Sei que sua generosidade é capaz de perdoar
E agradeço isso.
Tudo o que desejo era nunca ter errado e poder estar contigo
Como se nunca tivéssemos nos separado.

Eu a amo...!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Ausência: aquilo que me falta...


"Mas egoísta que eu sou
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar"
[Legião Urbana, Ainda é cedo]


Sofro com a perda daquilo que nunca foi meu.
Com saudades do que não tive,
do que não vivi.
Com dores que não são minhas.
E com as tristezas remoídas,
revividas e represadas.
Porque não sou assim: triste!
Porque me cativa mais aquilo que
me falta...
E aceitando o que dizia o Poeta do Ínfimo:
"Tem mais presença em mim o que me falta".